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05/04/2012

PAIXÃO
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Não  sou  santo
Não  sou  tanto
Renego  a  cruz
Acendo sua luz
Todo  peregrino
É um  ser divino
Toda  divindade
Faz  um  milagre
Rezo  para cada  espírito que me queira fazer lírico
Rezo  para  cada  santo que não me cause espanto
Cometo alguns sacrilégios para obter os privilégios
De quem peca um pouco pra ver se não fica louco
De quem comete a loucura com toda desenvoltura
Os  novos santos
Têm   quebrantos
Jamais  cochilam
Somente vacilam
Se  há fé legítima
Se haverá vítima
Escolha  a prece
Acorra e apresse
Mostre a piedade
Minta de verdade
Crie a sua crença
Vá, veja  e vença
 Se o  ateu é à toa
 Então toe  sua loa
 Então  toe  sua lia
  Faça um novo dia
  Cristo aí será  feliz
   E não terá cicatriz
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Felipe Cerquize
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17/09/2010

VIVA A VIDA

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Viva a vida,
seja ela regrada,
seja ela desmedida.
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Aproveite a oportunidade,
idade oportuna que fazemos.
Nós não somos o que temos.
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Faça uma limonada
com o limão que a vida lhe der.
Coquetéis de sonhos
ou mesmo uma caipirinha.
Quero que seja só minha.
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Viva a vida,
seja ela exacerbada,
seja ela introvertida.
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Mesmo que surjam fantasmas
mostrando velhos caminhos.
Ectoplasmas mesquinhos.
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Mesmo na curva fechada,
não derrape nem rape fora,
ainda que seja tarde,
ainda que seja agora.
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Felipe Cerquize
16/09/2010

08/06/2010

MONTANHAS DO SUL - CÉLIO MATTOS E FELIPE CERQUIZE

Para a poesia que fiz durante minha viagem pelo sul do Brasil, Célio Mattos compôs uma bela canção, que pode ser ouvida no link http://tinyurl.com/2fwbwau . Letra, abaixo.
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MONTANHAS DO SUL
Música: Célio Mattos
Letra:....Felipe Cerquize
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Macieiras,
dormideiras,
o voo do gavião,
a neve que não caiu,
neblinas clareiam a visão.
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Espaldeiras,
corredeiras,
o vinho nos aqueceu
por entre montanhas do Sul,
pelas mãos de quem cultivou.
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E assim fomos felizes,
driblando as verdades da vida,
enganando as despedidas,
reconhecendo a ilusão.
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E assim passamos por tudo
que estava na imaginação.
Viagens fabricam verdades
ao gosto de cada artesão.
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09/05/2010

FILHO DA MÃE

Minha mãe no tanque lavando a roupa
Minha mãe gritando feito uma louca
Minha mãe varrendo os nossos defeitos
Pondo a comida dos insatisfeitos
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Ela é apenas parte da decoração
Que completa os móveis e a televisão
Minha mãe é tudo que eu sempre quis
Pra ficar no ócio e viver feliz
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Não morras, mãezinha, fica aqui comigo
Que inda tenho um elo com o teu umbigo
Mostra teu trabalho, mostra teu amor
Fica aqui por perto, fazendo um favor
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Eu só não te quero quando tem visita
Do amigo certo, da mulher bonita
Tudo tem limite, não sou mais criança
Vai para a cozinha e vê se não me cansa
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Felipe Cerquize
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15/03/2010

MUDA MUNDO

A cada novo dia,
o mundo se transforma.
Não pelas mãos do homem,
nem pelas do Criador.
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Muda porque
quero vê-lo de outra forma,
despojado e dissidente,
além das leis e da lente.
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Sustentável e equilibrado
no seu próprio eixo.
Ele gira e eu sigo junto.
Ele deixa e eu também deixo.
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A cada novo dia,
o mundo se transforma.
Não pelo que foi embora,
nem pelo que está presente.
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Ele muda porque sei a hora
de girar para ser diferente.
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Essa é a menor distância
entre o desejo e a verdade,
entre a intenção e o gesto,
entre o extremo e o centro.
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O mundo muda por fora
se a gente mudar por dentro.
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Felipe Cerquize
15/03/2010
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09/05/2009

ESTRADA REAL III

SOLAR DA FAMÍLIA DE TANCREDO NEVES EM SÃO JOÃO DEL REI
SÃO JOÃO DEL REI (MG)
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Quando tracei o meu roteiro pela Estrada Real, minha opção foi a de não me hospedar em São João del Rei. Depois que a visitei, concluí que fiz uma boa escolha. Claro que, quando a gente faz a estada num determinado lugar, fica mais gabaritado para julgá-lo, mas o fato é que, lá, não percebi o glamour das outras cidades que estavam no meu roteiro.
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Depois de uma viagem de maria-fumaça, de Tiradentes a São João del Rei, que levou cerca de meia hora, saltei na estação e entrei numa van fretada, a fim de conhecer os principais pontos turísticos. Quando ainda estava no trem, percebi muito lixo às margens da linha férrea, na chegada da cidade. O cenário não era diferente ao caminhar por suas ruas, contrastando com Tiradentes, uma cidade extremamente limpa, onde imagino que a coleta de lixo deva ser feita de madrugada, pois não vi um lixeiro sequer, de dia e à noite.
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O guia turístico nos conduziu a uma primeira igreja, onde sempre se ouvem aquelas mesmas histórias sobre a quantidade de ouro incrustada nas pinturas e os detalhes da arte barroca. Na terceira igreja que ele nos levou, me recusei a entrar, já sem paciência, e fiquei dentro da van, olhando o chuvisco que caía na rua e no vidro do carro. Depois de quase meia hora, achei estranho os passageiros não terem retornado, pois o normal eram, no máximo, quinze minutos para uma visita desse tipo. Saí do carro e perguntei ao motorista por que todos estavam demorando tanto. Foi aí que fiquei sabendo que aquela era a igreja onde havia o cemitério em que Tancredo e Risoleta Neves estavam enterrados. Depois de uns dois palavrões, pela falta de comunicação, fui até a igreja e visitei o cemitério, tudo muito rápido, devido ao tempo perdido. Em seguida, fomos visitar uma fábrica de taças, vasos e jarras em estanho, bastante artesanal, porém com um acabamento das peças fabricadas tão bom, que a gente não consegue imaginar o quão rudimentar e insalubre para os trabalhadores é o lugar de onde elas saíram. Finalmente, depois de mais algumas voltas pelas ruas históricas da cidade, fomos parar em frente ao solar da família de Tancredo Neves (ver foto), muito bem cuidado, provavelmente com herdeiros da família ainda ocupando o imóvel. Nesses passeios, sempre ficamos sabendo algo que, por alguma vacilada ou falta de atenção, não havíamos aprendido, até então. Nesse, foi o caso da diferença entre um sobrado (casa de dois andares, em que o primeiro é comercial e o segundo residencial) e solar (casa de dois andares, residencial, com portas e janelas simples, embaixo, e janelas com sacada, na parte de cima, tendo um certo requinte no acabamento).
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Tudo isso, que descrevi nos parágrafos acima, ocupou a tarde que tive para conhecer São João del Rei. Na volta, quase perdemos o trem para Tiradentes, pois o motorista da van, com toda sua calma interiorana, dizia que não precisávamos nos preocupar com o tempo, pois chegaria à estação em cinco minutos, visto que o trânsito na cidade não engarrafava. Acabou de falar aquilo e nos deparamos com um acidente, entre um caminhão e um carro, que deixou todas as ruas de acesso à estação de trem congestionadas. Mas como todo mundo se conhece e tudo se sabe nas cidadezinhas do interior, o trem esperou seus passageiros, saindo com um atraso de quase meia hora. Faltaram a poesia e os poetas, em São João del Rei.
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A POESIA DE SÃO JOÃO DEL REI
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Está no lixo que cobre a cidade
Nos bêbados caídos pelas praças
Nos loucos que parecem ser normais
Naqueles que fabricam suas taças
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Nos cemitérios com gente importante
Dentro da igreja pintada de ouro
Vejo suas jóias como um viajante
Mas não consigo enxergar seu tesouro
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Vai na fumaça e no apito do trem
Na calmaria dos seus descendentes
O trem que parte é o mesmo que vem
Trazendo nele o sol de Tiradentes
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Não me interessa ter-te desprezada
Só digo as coisas que eu vivi contigo
Quem sabe, um dia, volte pela estrada
E me ofereça pra ser teu amigo?
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Felipe Cerquize
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