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30/08/2009

NOTÍCIA NA GAZETA DE VITÓRIA

Abaixo, matéria publicada, hoje, no jornal GAZETA ONLINE (Vitória - ES), que aborda a tendência à concisão na comunicação atual e cita o concurso literário 140 LETRAS, do qual participei e tive a felicidade de ser um dos vencedores, este ano.
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Link para a matéria no jornal: http://tinyurl.com/nhqa3s
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Para quem utiliza o Twitter e deseja interagir por lá, meu endereço é www.twitter.com/cerquize
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Abraços!
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Felipe

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140 toques literários
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30/08/2009 - 00h00
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Tiago Zanoli
tgarcia@redegazeta.com.br
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Escrever é moleza! Agora, ser conciso e, ao mesmo tempo, criativo é outra história... Se a internet facilitou a vida de muitos literatos e aspirantes a escritor, oferecendo diversos suportes para exercitar a criação literária e divulgar toda a produção, também permitiu que muito joio se misturasse ao trigo. Os blogs foram, até pouco tempo, o principal canal para literatos (pretensos ou não). Agora é a vez do Twitter, mesmo com seus posts limitados a 140 caracteres.
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Mas é possível fazer literatura dessa forma?! Há quem diga que sim... e há quem diga que não. Para um poeta do porte de Paulo Leminski, com seus incontáveis haikais, o Twitter não seria nada limitador. Assim como o escritor e chargista Millôr Fernandes, "tuiteiro" assíduo e um mestre do poder de concisão, que, em seu livro "A Bíblia do Caos" (reunião de mais de cinco mil aforismos de sua autoria), argumenta: "Não se escreve com 11 palavras o que se pode escrever com dez".
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Os adeptos desse suporte foram além da famosa pergunta "O que você está fazendo?" e passaram a publicar todo tipo de conteúdo. Muitos também passaram a explorar a possibilidade de se publicar literatura em pequenas doses. Bom para uns, terrível para outros. Tanto que o escritor português José Saramago, numa entrevista recente ao jornal "O Globo", declarou: "Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido".
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Mesmo sendo um dos maiores autores de língua portuguesa (o único Nobel a escrever nesse idioma), seu ponto de vista não intimidou um bocado de gente, e até concurso literário surgiu no Twitter. Trata-se do 140 Letras (www.140.zip.net), idealizado pelo jornalista e escritor Roberto Moreno, que já soma duas edições – uma realizada no final do ano passado, e outra no primeiro semestre deste ano. Apenas na primeira, foram mais de 1,8 mil microcontos participantes.
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De acordo com Moreno, o número de inscrições foi proporcionalmente maior na segunda edição, uma vez que o prazo de inscrição foi reduzido de oito para duas semanas, totalizando 900 textos concorrentes. "Havia, sim, muita porcaria no meio. Fiquei até com pena dos jurados, que tiveram de filtrar textos mal escritos, piadas velhas e frases publicitárias ruins. O bom foi que, para cada texto fraco, havia um microconto em que o autor parecia realmente ter boa inspiração para contar sua história. Compensou o esforço", observa.
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Moreno lembra o lema de muitos autores consagrados, como Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade: é preciso sempre cortar palavras para se chegar a um texto enxuto e definitivo. "Os microblogs, como o Twitter, são ótimas ferramentas para praticar esses cortes. Com a vantagem de ter o leitor ali, por cima do ombro, avaliando o resultado. Mas o Twitter é mais usado para produção literária final, concisa, em que uma história é contada em apenas 140 letras. A literatura produzida dessa forma tem autores e leitores específicos, gente que curte o jogo de palavras, que saboreia pequenas porções de deliciosos pratos", completa.
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Aforismos
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Para Augusto Sales, editor do blog "Paralelos", não é o suporte que define o que é ou deixa de ser literatura. "É o texto que determina. Dá para fazer minicontos curtíssimos ou mesmo aforismos. Eu mesmo criei um de aforismos (twitter.com/parafrase), que é uma nova paixão minha. Um livro de aforismos poderia ser publicado inteiramente no Twitter.
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"Entre os autores brasileiros, destacam-se Millôr Fernandes, que diariamente publica aquilo que faz de melhor: suas sentenças, concisas e carregadas de ironia fina (muitas já integram seu acervo, e algumas são inéditas). O poeta Fabrício Carpinejar, poeta premiado e sempre bem elogiado pela crítica, também aderiu à ferramenta (twitter.com/carpinejar). Lá, publica seus pensamentos, versos e divulga sua produção literária.
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Outro muito bom é o do escritor Marcelino Freire (twitter.com/marcelinofreire). Vencedor do Prêmio Jabuti, em 2006, com o livro "Contos Negreiros", ele utiliza o canal para divulgar seus contos nanicos.
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Nos Estados Unidos, a onda também pegou, e autores passaram a utilizar o Twitter também para divulgar conteúdo literário. A cada 140 toques, vão publicando suas obras como espécies de minifolhetins. Entre os destaques, está o escritor e repórter do "The New York Times" Matt Richtel (twitter.com/mrichtel), que desenvolve a trama sobre um homem que perdeu a memória e só tem o aparelho celular, que o ajuda a narrar sua história. Por se tratar de um experimento no gênero thriller, o autor batizou o projeto de Twiller.
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Se essa produção literária é rica ou pobre, fica a cargo dos leitores que acompanham decidir. Os argumentos de José Saramago são radicais, exagerados, ou guardam alguma verdade?
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"Saramago está acima das modas que surgem na web. Para ele, o microblog não serve; talvez nem o blog sirva. O prazer de ler Saramago é diferente daquele das pequenas porções. Na condição de maior escritor em língua portuguesa da atualidade, tem todo o direito de ironizar as transformações da comunicação", diz Roberto Moreno.
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Augusto Sales considera que há um pouco de exagero da parte do escritor português. "Nunca se ‘falou’ tanto. A internet deu ‘voz’ a uma porção de gente que não era ‘ouvida’. Vejo, ao contrário, um grande barulho na internet, todo mundo ‘falando’ ao mesmo tempo, e pouca gente ‘ouvindo’ e ‘sendo ouvida’. Mas aí já é outro problema...", arremata.
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"Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
José Saramago , escritor
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"A literatura produzida dessa forma tem autores e leitores específicos, gente que curte o jogo de palavras, que saboreia pequenas porções de deliciosos pratos"
Roberto Moreno , jornalista e escritor
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Twitter
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@millorfernandes .
"Nas noites de Brasília, cheias de mordomia, todos os gastos são pardos."
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@millorfernandes .
"Todo homem nasce original e morre plágio." (Millôr Fernandes, escritor e chargista)
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@xicosa .
"Haikai do último tango: Minha nega / Contigo derreto-me / Qual manteiga!"(Xico Sá, jornalista e escritor).
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@daniloprates .
"Chega. Vou me embora. Pra casa, pra Nasa, pra onde a lava derreta a certeza que o nada persiste e a vida insiste em reter a minha sorte." (Danilo Prates, um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@terminal1 .
"Eu sou o medo de escuro que existe no coração de cada criancinha." (Carlos Margarido, um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@deniscp .
"Trocaram olhares no metrô. Telefones na escada rolante. Carícias no cinema. Beijos no motel. Ofensas no carro. Despedidas na esquina." (Denis Pacheco, um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@MarcelinoFreire .
"Conto Nanico Nº 18: Atéia fogo na igreja." (Marcelino Freira, escritor)
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@bellameneses .
"Ela queria alguém sem consciência, sem clemência, com importância, com arrogância, com prepotência e com potência. Muita potência." (Isabella Meneses, um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@Cerquize .
"Tudo que seu chefe pedia, o contorcionista fazia com o pé nas costas." (Felipe Cerquize, escritor, compositor e um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@clarissafelipe .
"Ela lembrou de não ter pensado em nada antes de tomar aquela decisão. Essa lembrança explicou muito da sua situação atual." (Clarissa Felipe, um dos vencedores do concurso 140 Letras)
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@carpinejar . "Amar não é fazer as vontades do outro, é desfazer as nossas vontades." (Fabrício Carpinejar, poeta e jornalista)
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@rodriguesnelson .
"A ficção para ser purificadora precisa ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de todos nós." (Coletânea de frases do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues)


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25/08/2009

FALECIMENTO DO POETA ANIBAL BEÇA

Apesar de saber que Anibal Beça estava em tratamento hospitalar, não sabia que sua situação de saúde era tão crítica. Só me toquei quando recebi a mensagem de um amigo, no final de semana passado, dizendo que ele ainda continuava internado na Beneficência Portuguesa, em estado grave.
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A morte sempre choca, porque desperta a atenção para o inevitável. Ela faz parte de um ciclo que deveria ser encarado com naturalidade, mas nós não conseguimos admitir a perda, de uma hora para outra, de tudo que acumulamos, materialmente e culturalmente, no decorrer de nossas existências. É uma reação instintiva, mas possível de ser superada por ações coletivas, que procuram preservar o que de bom deixou um indivíduo para a sua sociedade. A religião é uma das formas que encontramos para viabilizar a ausência pela morte, amenizando o impacto que causa essa perda.
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Toda a arte de Anibal Beça será lembrada por muitos e muitos anos e a lembrança é um dos caminhos que aproximam as pessoas da eternidade. É assim que prefiro continuar vendo esse nosso amigo: vivo, emocionando pessoas que ainda vão nascer, através de seu maravilhoso legado artístico.
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VEREDAS
Música: Felipe Cerquize
Letra: Aníbal Beça
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Vento na varanda arejando o verão
Verde vereda lava a vista.
Relva revelando um canteiro de aventuras
Que a ventania registra
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Quantas ruas cruzei?
Quantas cruzarei?
Quantos versos versei?
Quantos versarei?
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Sem arrependimentos
Tenho vontade de ir
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Penso nas mulheres que nos portos deixei
Foram isoldas e marílias
Gregas, francesas e toscanas amorosas
Quanta saudade de alcovas
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Mil mulheres amei
Quantas amarei?
Mil caminhos cruzei
Quantos cruzarei?
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Apenas me perdoo
Por aquilo que não fiz.
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Quantas ruas cruzei?
Quantas cruzarei?
Quantos versos versei?
Quantos versarei?
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Apenas me perdoo
Por aquilo que não fiz.
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24/08/2009

ENCONTRO COM CHICO AMARAL EM BH

Antes de me encontrar com Murilo Antunes, no mesmo dia, fui até a rua Piauí, nº 1052 (BH), onde está o aconchegante bar Balaio de Gato. Esse foi o endereço que Chico Amaral me passou. Ele se apresenta lá, às quartas-feiras, não sei se sempre com o violonista Celso Moreira, mas o fato é que os dois formam uma dupla bastante harmônica. Chico tocou de tudo no seu sax tenor, incluindo Cartola, Nélson Cavaquinho, algumas internacionais e várias da turma do Clube da Esquina, em meio ao burburinho infernal dos comensais. Na falta de uma máquina, filmei uma das canções apresentadas com meu celular e subi a gravação para o You Tube.

Canção: Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges)
Apresentação: Chico Amaral e Celso Moreira
Local: Balaio de Gato - Belo Horizonte (MG)
Data: 19 de agosto de 2009
Link: http://www.youtube.com/watch?v=XiKYDX-58xM

Abaixo, três fotos, que também tirei com meu celular quebra-galho, no afã de registrar esse prazeroso encontro.

Abraços,

Felipe
Chico Amaral
Celso Moreira e Chico Amaral
Felipe Cerquize e Chico Amaral


23/08/2009

ENCONTRO COM MURILO ANTUNES EM BH

Murilo Antunes, letrista de obras-primas da MPB, tais como "Nascente" (com Flávio Venturini) e "O trem tá feio" (com Tavinho Moura), não é só bom de verso. Ele também é muito bom de prosa. Foi o que deu para perceber nas quase três horas de papo que tivemos, no dia 19 de agosto, no bar Marquês, que fica na rua Marquês de Maricá, 56, Belo Horizonte.
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Um cara simples e verdadeiro, que dá prazer de conversar. Falamos de realizações e de planos, entre os quais está o projeto de um CD comemorativo dos seus sessenta anos, em 2010. Falamos, também, de nossa primeira parceria, que está sendo gravada por um amigo em estúdio, e de suas parcerias com Claudio Nucci, que ainda não conheço.
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Tive o prazer de conhecer seu filho, João Antunes, guitarrista e violonista, vencedor do Prêmio Jovem Instrumentista BDMG 2006, que se apresenta com o pianista Rafael Martini no bar Marquês, onde estávamos.
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Maria Valéria Bethonico, amiga de muitos na Internet, mora pertinho do bar Marquês e coincidentemente estava lá, no dia em que me encontrei com o Murilo. Ela enviou para mim algumas fotos que tirou e eu escolhi duas para postar nesta mensagem. Duas falhas, das quais preciso me redimir com a ajuda do Murilo ou da Maria Valéria: saber os nomes da namorada do Murilo e da dona do bar Marquês, que estão em uma das fotos e que não consegui lembrar de jeito nenhum.
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Abraços!
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Felipe
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Murilo Antunes e Felipe Cerquize
Maria Valéria, namorada do Murilo, Cerquize, Murilo Antunes e a dona do Marquês

14/08/2009

CD LÉGUAS NA RÁDIO DIFUSORA DE MACEIÓ


Amanhã, 15/08/2009, a partir das 09:00 h, Luiz Alberto Machado apresentará músicas do CD LÉGUAS na Rádio Difusora de Maceió, programa Alagoas Frente & Verso. Quem tiver interesse poderá ouvir o programa pelo link http://www.izp.com.br/rdedifusora.php
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Abraços!
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Felipe


12/08/2009

OS DESMANDAMENTOS DE GERALDINHO CARNEIRO

Muito bom ter presenciado esse manifesto preparado pelo poeta Geraldinho Carneiro. Fui ao Teatro do Planetário, na Gávea, em plena segunda-feira, dia das almas, para um regozijo que há muito não tinha. Maior barato ver o amigo Geraldinho e o poeta Salgado Maranhão sob a luz de lâmpadas inconvenientes, orquestrando uma festa grandiosamente pequena. Apesar de toda a luz que os iluminava, brilharam na mesma intensidade as estrelas de Camila Pitanga, Giulia Gam, Cissa Guimarães, Bianca Byington e Camila Amado, que leram algumas poesias dos dois anfitriões. Na plateia, astros como Pery Ribeiro, Wagner Tizo, Tavynho Bonfá, Sérgio Natureza e Eduardo Souto Neto luziam intermitentemente aos olhos do público. Moisés (Tonico Pereira) sentou o sarrafo nos desmandamentos e depois de lido o manifesto, "sacó el equipo de la cancha". Entre o público e os astros, caminhavam Olavo Bilac (Cândido Damm) e Oswald de Andrade (Orã Figueiredo) com troca de imprecações impagáveis, resgatando o necrofilismo e o antropofagismo dos bons tempos.
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FILMAGENS NO EVENTO
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1.Filosofia - Poesia de Geraldinho Carneiro recitada por Cissa Guimarães
http://www.youtube.com/watch?v=TOCI98Ac2cY
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2.Salgado Maranhão e Geraldinho Carneiro falando sobre a Poesia e Camila Pitanga recitando a poesia O azul e as farpas, de Salgado Maranhão
http://www.youtube.com/watch?v=z_rDyNccXPI
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3.O caos total - Poesia de Geraldinho Carneiro recitada por Giulia Gam
http://www.youtube.com/watch?v=Nzot-z9zSS4
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4.Miragem e abismo - Poesia de Geraldinho Carneiro em récita reverberada por "Oswald de Andrade", Camila Amado e "Olavo Bilac".
http://www.youtube.com/watch?v=cnl5IukjJVw
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5.Flor de amido - poesia de Salgado Maranhão recitada por Bianca Byington
http://www.youtube.com/watch?v=Ndb_eBaH9fg.............

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FOTOS NO EVENTO

Bianca Byington interpretando uma poesia
Salgado Maranhão, Geraldinho Carneiro e Camila Amado
Tonico Pereira no papel de Moisés
Geraldinho Carneiro, Orã Figueiredo, Tavynho Bonfá e Felipe Cerquize
Cissa Guimarães e Geraldinho Carneiro
Felipe Cerquize, Tavynho Bonfá, Wagner Tizo, Pery Ribeiro e Eduardo S. Neto
Camila Pitanga e Nilza Cerquize
Geraldinho Carneiro, Orã Figueiredo, Tavynho Bonfá e Felipe Cerquize
Felipe Cerquize, Tavynho Bonfá e Eduardo Souto Neto
Giulia Gam, Cissa Guimarães e Nilza Cerquize
Pery Ribeiro, Tavynho Bonfá e Felipe Cerquize
Salgado Maranhão, "Oswald de Andrade", Geraldinho Carneiro, Camila Amado e "Olavo Bilac"
Giulia Gam e Salgado Maranhão
Geraldinho Carneiro e Felipe Cerquize
Camila Pitanga recitando poesias de Salgado Maranhão e Geraldinho Carneiro
Camila Pitanga conversando com Salgado Maranhão e Geraldinho Carneiro
Precisamos transformar esse manifesto num "manyfesto", Geraldinho! Onde vai ser o próximo?


06/08/2009

MYSPACE - ENTREVISTA PARA A RÁDIO MEC


A entrevista que fiz para a Rádio MEC, que foi ao ar no dia 29 de julho de 2009, está disponível para audição no meu endereço do MySpace: http://www.myspace.com/felipecerquize
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Abraços!
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Felipe

01/08/2009

FESTIVAL DE INVERNO DE OURO PRETO II

Não sei se a primeira letra do Márcio Borges, que me impressionou nos anos 60, foi Vera Cruz ou Alunar, mas o fato é que eu estava ali, num Fiat Uno com pneus carecas e para-brisa trincado, indo de Nova Lima para Ouro Preto, a fim de encontrar com um dos grandes responsáveis pela minha formação poética. Eu estava no ponto, esperando um ônibus da viação Pássaro Verde, quando o Uno parou e o motorista me perguntou se eu queria condução para Ouro Preto pelo mesmo preço do busão. Como havia a possibilidade de o ônibus não parar no ponto em que eu estava, por estar cheio, aceitei no ato aquele transporte mambembe.

Depois de uma hora, mais ou menos, chegamos a Ouro Preto e eu pedi ao motorista para me deixar em frente à pousada Casa Grande, que fica no início da estrada para Mariana. Essa era minha principal referência, pois foi lá que eu havia me hospedado, quando fiz a viagem pela Estrada Real, em janeiro deste ano. Desci as escadas, em meio a um mar de malas de hóspedes, cheguei à recepção e perguntei ao atendente se havia vaga. A resposta, obviamente, foi "não". Pedi para que ele verificasse com outros hotéis se havia a possibilidade de hospedagem para uma pessoa e nenhum dos contactados tinha. Foi nessa hora que eu liguei para o Márcio para perguntar se poderia me ajudar a encontrar uma pousada e ele me chamou para ir até a casa em que estava.

Rua Salvador Trópia, 138, antigo Beco da Ferraria. Esse era o endereço do QG do Clube da Esquina, onde estava o Marcinho com a família. Toquei a campainha e a Cláudia me atendeu. Entrei e fui recebido como se fosse de casa, apesar de ser aquela a primeira vez em que me encontrava com todos. Com 51 anos de idade, ao apertar a mão de Márcio Borges, me senti como se fosse o garoto de 15, que viajava ao som de Alunar pelos recônditos da própria imaginação.

De sexta-feira à noite até domingo pela manhã, vocês podem imaginar a riqueza que foi esse final de semana para mim. Papos agradabilíssimos rolaram o dia todo, desde o café da manhã até a última fagulha da fogueira noturna acesa para espantar o frio. Ainda na sexta-feira, à noite, Marcinho me levou para ver a exposição do Museu do Clube da Esquina, no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto. Logo depois, me deixou entregue a Fernando Brant para ver seu show com Geraldo Vianna e o grupo Amaranto. No sábado, muita conversa sobre o Clube, com algumas informações que fizeram eu me sentir um privilegiado. Nesse mesmo dia, o show de Lô Borges na Praça da UFOP e depois o encontro dos músicos da banda de Lô e de Marina Machado no QG do Clube, em meio a um conversê que rolou até altas horas.

No domingo de manhã, quando acordei, todos ainda estavam dormindo. Eu já havia comprado a passagem de volta e não podia me atrasar. Cheguei a conversar rapidamente com a Claudinha e com a ex do Sá, mas com o Marcinho só consegui depois que já estava no ônibus, quando recebi o telefonema do querido amigo, perguntando se correu tudo bem para mim e se eu havia ficado satisfeito com a estada em sua casa. Satisfeito? Poxa, Márcio! Você conseguiu provar para mim, na prática, que os sonhos realmente não envelhecem. Valeu demais da conta, meu caro amigo! Muito obrigado por tudo.

Abaixo, duas gravações feitas durante o show do Lô, que subi para o You Tube:

1) http://www.youtube.com/watch?v=zZzeJidpmuc

2) http://www.youtube.com/watch?v=rmFIJh4nc2k
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QG do Clube da Esquina no antigo Beco da Ferraria
Exposição do Museu do Clube na UFOP

Oficina literária no Centro de Artes e Convenções da UFOP
Marcinho e Cerquize na exposição do Museu do Clube

Marcinho e Cerquize na exposição do Museu do Clube

Lô, Cerquize e Marcinho na exposição do Museu do Clube

Lô e Márcio Borges em entrevista para a TV UFOP

Lô Borges durante o show Bhanda, realizado na praça da UFOP