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25/08/2009

FALECIMENTO DO POETA ANIBAL BEÇA

Apesar de saber que Anibal Beça estava em tratamento hospitalar, não sabia que sua situação de saúde era tão crítica. Só me toquei quando recebi a mensagem de um amigo, no final de semana passado, dizendo que ele ainda continuava internado na Beneficência Portuguesa, em estado grave.
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A morte sempre choca, porque desperta a atenção para o inevitável. Ela faz parte de um ciclo que deveria ser encarado com naturalidade, mas nós não conseguimos admitir a perda, de uma hora para outra, de tudo que acumulamos, materialmente e culturalmente, no decorrer de nossas existências. É uma reação instintiva, mas possível de ser superada por ações coletivas, que procuram preservar o que de bom deixou um indivíduo para a sua sociedade. A religião é uma das formas que encontramos para viabilizar a ausência pela morte, amenizando o impacto que causa essa perda.
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Toda a arte de Anibal Beça será lembrada por muitos e muitos anos e a lembrança é um dos caminhos que aproximam as pessoas da eternidade. É assim que prefiro continuar vendo esse nosso amigo: vivo, emocionando pessoas que ainda vão nascer, através de seu maravilhoso legado artístico.
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VEREDAS
Música: Felipe Cerquize
Letra: Aníbal Beça
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Vento na varanda arejando o verão
Verde vereda lava a vista.
Relva revelando um canteiro de aventuras
Que a ventania registra
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Quantas ruas cruzei?
Quantas cruzarei?
Quantos versos versei?
Quantos versarei?
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Sem arrependimentos
Tenho vontade de ir
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Penso nas mulheres que nos portos deixei
Foram isoldas e marílias
Gregas, francesas e toscanas amorosas
Quanta saudade de alcovas
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Mil mulheres amei
Quantas amarei?
Mil caminhos cruzei
Quantos cruzarei?
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Apenas me perdoo
Por aquilo que não fiz.
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Quantas ruas cruzei?
Quantas cruzarei?
Quantos versos versei?
Quantos versarei?
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Apenas me perdoo
Por aquilo que não fiz.
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