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31/05/2011

"PELOS CAMINHOS DA ESTRADA REAL" ESTÁ PRONTO

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Caros amigos, com imensa alegria, informo a vocês que acaba de ficar pronto o livro Pelos caminhos da Estrada Real, que relata as minhas andanças, realizadas em 2009, por essa parte da geografia e da história do Brasil.

Abaixo, está a capa do livro, que tem mais de uma centena de fotos coloridas e o relato da minha experência na passagem por cada uma das quatorze cidades que tive a oportunidade de conhecer e vivenciar.

Abaixo da foto da capa, está o prefácio redigido pelo amigo Fernando Brant, a quem agradeço muito pelas palavras.

Quem tiver interesse e quiser saber mais sobre o trabalho, favor contactar o e-mail giostrieditora@gmail.com

Forte abraço para todos!

Felipe Cerquize
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     Clique na capa para ampliá-la

PELOS CAMINHOS DA ESTRADA REAL

PREFÁCIO

"O poeta resolveu viajar pelos caminhos de Minas. Quando um poeta viaja, a geografia é outra, é real e imaginária, sonhada e criada.

Felipe pôs o pé na poeira e o carro no asfalto para conhecer a Estrada Real, o caminho velho, que sai de Paraty, e o caminho novo, nascido no Rio de Janeiro. Os dois com a mesma direção, Diamantina, nas portas do vale do Jequitinhonha, e com um encontro marcado no meio: o arraial de Vila Rica.

Poetando sobre o que restou do ouro e dos diamantes de Minas, Felipe constatou o que há de tradição e cultura, afeto e humanidade por aqueles arredores. Passeou pelas cidades calçadas de pedra, arte e fé. Em sua trajetória, não lhe bastou, porém, o objetivo inicial. Já que estava por aquelas bandas, enveredou-se pelo território roseano das minas e dos gerais. Foi se graduar em Minas e em mineiro. Subiu montanhas e se lavou nos ribeirões. E andou mais ainda, indo de Drummond a Milton Nascimento, de Aleijadinho a Athayde; do Circuito das Águas, de sua infância, até a ponte que separa Maringá de Minas de Maringá do Rio.

O relato desse caminhar de Felipe Cerquize merece ser lido e visto."

Fernando Brant

29/05/2011

ESTRADA REAL VII

COCAIS

Às dezessete e trinta, já quase escurecendo e com o frio aumentando consideravelmente, descemos de quase 1300 metros de altura do Santuário do Caraça para pegar, de novo a rodovia MG 129, com destino a Cocais. Lá, existem duas pousadas. Ficamos na Vila Cocais, que consideramos ser melhor e onde também há um restaurante com boa comida, o que nos facilitou. Na verdade, Cocais também não era parte do roteiro original dessa viagem, mas, assim como Catas Altas, decidimos ir até essa localidade depois da sugestão dada pelo Argentino José Maria Medina, que conhecemos em Santana dos Montes. No dia 18 de maio, depois do café da manhã, saímos a pé para conhecer o lugarejo, mas não fomos até as cachoeiras, por ficarem muito distantes do centro. Preferimos, então, conhecer as cercanias e, a uns 500 metros da pousada, descobrimos o Museu Histórico Fernando Toco, personalidade da região que, segundo crença local, quando ainda era jovem, descobriu um baú cheio de ouro e, a partir de então, começou a ostentar riqueza, comprando diversos imóveis em Cocais. A história do museu nasceu da tentativa de seu proprietário Augusto Bento do Nascimento, de recolher, guardar e difundir peças relativas à história de seus antepassados, bem como compreender e estudar essa história, tendo como parâmetro o modo de vida da geração de seu bisavô, Fernando Toco. Outros prédios interessantes do distrito são:

Sobrado do Cartório - É uma das últimas construções coloniais existentes na Vila de Cocais. Foi construído pelo bandeirante Furtado Leite, um dos fundadores de Cocais, e pertenceu a Fernando Toco (Fernando José do Espírito Santo). O Sobrado se transformava, às vezes, em casa de danças e em sede de encontros políticos. Até poucos anos atrás, funcionou como cartório, mas, hoje, por não estar em bom estado de conservação, o imóvel encontra-se desabitado.

Solar da Ladeira - É um dos últimos casarões antigos existentes na Vila Colonial de Cocais. Conhecido pelos moradores do lugar com a “Casa do Mingote”, este casarão já hospedou Duque de Caxias, em 1842, em visita ao Barão de Cocais. O Solar da Ladeira fica situado no alto de uma ladeira no Largo de Santana. Atualmente, é propriedade da Vale.

Igreja Matriz de São João Batista - Teve sua primeira construção em 1713. O seu traço contou com a colaboração de Aleijadinho. Abaixo de um dos altares há a imagem de madeira do Senhor Morto, os altares mais antigos possuem talha e douramento, pois os outros vieram da fazenda de Morro Grande. No interior, a igreja dedicada a São João Batista conserva muitas riquezas não só arquitetônicas, mas também ornamentais.

Depois de passearmos por praças e ruas da vila, voltamos à pousada, encerramos a conta e, de carro, fomos até o local onde há uma das maiores atrações da região, que é a Pedra Pintada, abrigo natural de rochas quartzíticas, onde homens pré-históricos deixaram diversos sinais de sua permanência no local, através de pinturas rupestres. O local fica numa propriedade particular, distante mais ou menos 3 Km do centro de Cocais. Quem nos atendeu e serviu de guia foi José Romualdo dos Reis, um dos donos. O local, realmente, é fantástico, pois, além do contato com pinturas pré-históricas, também tivemos à disposição uma vista extraordinária da região, com seus vales e montes ainda intactos. No final da visita, ganhamos umas tangerinas, colhidas do pé pelo Sr José, e aproveitamos para comprar um mel silvestre, vendido na propriedade.


Vista de Cocais, tendo ao fundo a Igreja Matriz de São João Batista

Museu Fernando Toco - Cocais (MG)

Sobrado do Cartório, que pertenceu a Fernando Toco - Cocais (MG)

Pousada Vila Cocais na rua principal de Cocais (MG)

Caminho para Pedra Pintada - Cocais (MG)

Pinturas rupestres pré-históricas em Pedra Pintada - Cocais (MG)

A um passo da eternidade - Cocais (MG)

Boi que faz careta no caminho para Pedra Pintada - Cocais (MG)

Seriemas no caminho para Pedra Pintada - Cocais (MG)
Às quatorze horas do dia 18 de maio, deixamos o distrito de Cocais. Próxima parada pretendida, Tiradentes, o que não foi possível naquele mesmo dia, devido à distância. Tivemos, então, de fazer um “pit stop” em Itabirito.


VILA COCAIS
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Existe uma nova descoberta
a cada parada que se faz.
Não poderia ser diferente
nas terras de Vila Cocais.
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Vila onde houve quem
encontrasse um pote de ouro
e ficasse rico.
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Hoje, a riqueza reluz no horizonte
e mostra o vigor da natureza
a cada novo pôr-do-sol.
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Estradas de chão que levam
a cachoeiras murmurantes
e a pedras pintadas

por antepassados distantes.
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Existe uma nova descoberta
a cada parada que se faz
e isto não foi diferente

nas terras de Vila Cocais.
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Felipe Cerquize

24/05/2011

ESTRADA REAL VI

PARQUE DO CARAÇA

Em conversas com várias pessoas, em Catas Altas e Santa Bárbara, tivemos a recomendação de algumas delas para a visita ao Santuário do Caraça e resolvemos realizá-la, o que realmente valeu muito a pena. Esse santuário está a mais ou menos 20 Km do centro de Santa Bárbara e situa-se no Parque Nacional do Caraça, localizado na Serra do Espinhaço. Já foi colégio e seminário, que deixou de existir depois de um grande incêndio, ocorrido em maio de 1968. Hoje, abriga a Hospedaria do Caraça, além de manter todo seu entorno transformado em Reserva Particular de Patrimônio Natural, garantindo que esse santuário ecológico não venha sofrer futuros danos. Dentro do parque, encontram-se lugares e cenários realmente fascinantes, como a Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, a primeira em estilo neogótico do Brasil, as ruínas do antigo colégio (onde, hoje, no primeiro andar, funciona um museu e, no segundo, uma biblioteca com um acervo riquíssimo, tendo livros de até 500 anos atrás) e uma pousada, para os que desejarem pernoitar no parque. São várias trilhas, que levam para diversas cachoeiras, piscinas naturais e mirantes, tudo isto com muito verde funcionando como colírio para os olhos. Lá, também um existe um prédio onde se implantou o projeto Sala Verde, mantido pela Província Brasileira da Congregação da Missão e que foi criado com o objetivo de fortalecer as ações socioambientais que já existiam na Reserva. Em parceria com a PUC Minas, por meio de sua Pró-Reitoria de Extensão, a Sala Verde foi inaugurada em 2007, segundo as normas prescritas pelo Ministério do Meio Ambiente. 

Uma foto do lobo-guará na Sala Verde - Parque do Caraça (MG)

Igreja, pousada e prédio do antigo internato - Parque do Caraça (MG)

Pátio do restaurante localizado no Parque do Caraça (MG)

Três das cruzes existentes no Santuário do Caraça (MG)

Museu do Caraça - Camas utilizadas por Pedro II e Teresa Cristina

Vista de palmeiras existentes no pátio da igreja - Parque do Caraça (MG)

Pôr-do-sol no Parque do Caraça (MG)

Santuário do Caraça visto de um mirante do parque
Não optamos por pernoitar no parque, por não termos programado isto dentro do nosso tempo limitado, mas esse é um lugar que com certeza fará parte de uma programação mais prolongada na minha próxima viagem por essas bandas de Minas Gerais.
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CARAÇA
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A face esculpida na montanha
e o verde até onde a vista alcança
ajudam a criar fascinantes magias
no topo da Serra do Espinhaço.
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Parque do Caraça.
Aqui, sou parte da natureza
em pleno dia da caça.
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Santuário que existe na imaginação,
mesmo depois que o encontramos.
Nós nunca saberemos de onde viemos,
mas é certo que sabemos para onde vamos.
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Parque do Caraça.
Aqui, eu posso existir
tendo toda certeza
de não ser uma ameaça.
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Felipe Cerquize
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22/05/2011

ESTRADA REAL V

SANTA BÁRBARA
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Quando saí de Catas Altas, tinha como objetivo seguir direto para Cocais, um pequeno distrito do município de Barão de Cocais. Porém, duas paradas mudaram completamente o rumo dessa minha história, no dia 17 de maio de 2011. A primeira foi em Santa Bárbara, cidade onde minha mulher tem memórias familiares afetivas, que nos fizeram parar lá, a fim de tentar resgatá-las. A segunda foi o Santuário do Caraça, propriedade privada situada no Parque Nacional do Caraça.
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Santa Bárbara faz limite com o município de Catas Altas e a distância entre o centro das duas cidades fica em torno de 30 Km. No seu centro histórico, por sinal muito bem preservado, está uma casa da cultura imponente, a antiga casa de câmara e cadeia e o memorial em homenagem a Affonso Penna, primeiro presidente mineiro do Brasil, nascido e criado nessa cidade. Lá, também estão a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que está em reforma, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e a Matriz de Santo Antônio, essa última considerada uma das mais bonitas de Minas, com elementos das três fases do Barroco, sendo uma das obras-primas do Mestre Athayde. A antiga estação ferroviária, hoje, está toda restaurada e abriga o Museu da Ferrovia e a Estação da Música, onde a formação clássica de orquestra sinfônica e o aprendizado da música popular são oferecidos aos alunos do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino. O que queríamos, ao passar por Santa Bárbara, era resgatar a memória do período em que minha sogra estudou nessa cidade. Ela é mineira de Pedro Leopoldo, viveu muito tempo em Barbacena, mas passou um período de sua infância em Santa Bárbara, em regime de internato. Conseguimos localizar o prédio, onde foi a escola em que ela estudou, e tiramos algumas fotos. De quebra, fomos brindados com o conhecimento histórico de uma cidade que teve importância significativa no Ciclo do Ouro.


Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Santa Bárbara (MG)

Casa da Cultura de Santa Bárbara (MG)

Igreja Matriz de Santo Antônio (MG)

Estação Ferroviária, hoje museu - Santa Bárbara (MG)

Desenho de uma casa colonial na rocha - Santa Bárbara (MG)

Vista do centro histórico de Santa Bárbara (MG)

O PRAZER DO INESPERADO
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O prazer do inesperado,
quando visto pelo outro lado,
é capaz de nos deixar dependentes
de realidades iminentes.

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É capaz de ser parte da sina
de quem não quer reviver a mesmice.
É como se fosse uma dose de morfina,
que penetrando na artéria virgem,
transformasse a dor da rotina
numa alegria que não existisse.
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Felipe Cerquize
17/05/2011

18/05/2011

ESTRADA REAL IV

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OURO PRETO E CATAS ALTAS
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De Lavras Novas a Ouro Preto são 30 minutos, já considerando os 7 Km de estrada de chão na saída de Lavras. Quando chegamos a Ouro Preto, eram mais ou menos 3 horas da tarde e a fome já estava apertando. Ficamos no hotel pousada Casa Grande, mesmo local em que nos hospedamos, em janeiro 2009. Deixamos as bagagens rapidamente no quarto e saímos para o almoço, porém, antes, desviei do caminho e passei pela rua do “quartel general” do Clube da Esquina, que foi armado no Festival de Inverno de Ouro Preto, de julho de 2009, onde tive a oportunidade de ficar hospedado graças ao convite do amigo Márcio Borges (o Festival de 2009 homenageou o Clube da Esquina). Tendo feito isto, resolvi matar um pouco mais a saudade, indo ao restaurante Bené da Flauta, onde, em julho de 2009, jantei com Fernando Brant, Geraldo Vianna e o grupo Amaranto, após um show que eles fizeram no Teatro Ouro Preto. Depois do almoço, caminhamos um pouco pelas ladeiras da cidade ao som do buzinaço da torcida do Cruzeiro que tinha acabado de ganhar do Atlético Mineiro por 2 a 0, sagrando-se campeão mineiro de 2011 (pensei até que o Atlético tivesse sido o campeão, pois a torcida do Galo é que costuma ser muito barulhenta). No dia seguinte, algumas contas para pagar no banco (elas não querem se esquecer da gente e nós não podemos nos esquecer delas), mais um passeio pelas lojas das ruas Direita e das Flores, para depois meter as malas de novo no carro e seguir para Catas Altas.

Restaurante Bené da Flauta - Ouro Preto

O ladeirão da Rua Direita - Ouro Preto

Casa de Tomaz Antônio Gonzaga - Ouro Preto

Ford 1929 em exposição na Praça Tiradentes - Ouro Preto

Tomaz Antônio Gonzaga e Marília de Dirceu - Ouro Preto
Para chegar a Catas Altas, saindo de Ouro Preto, são cerca de 80 Km e é necessário passar por Mariana. Problema maior é o de falta de placas na rodovia com o nome da cidade de destino, o que me forçou a várias paradas para perguntar aos transeuntes se estava indo na direção certa. Um pouco de chuva na estrada, seguida de sol forte e evaporação rápida da água no asfalto, fazendo um show à parte da natureza. Na chegada a Catas Altas, fui logo procurando pelo Solar da Serra, recomendação do argentino José Maria, quando ainda estávamos em Santana dos Montes. Pousada simples e agradável, como a própria cidade, pela qual saímos em caminhada, logo após fechar a estadia para uma diária. Domingo, 15 de maio, foi o último dia da festa do vinho em Catas Altas. As barraquinhas e o palco dos shows estavam sendo desmontados, quando chegamos ao centrão histórico. A composição de prédios não é muito diferente da de outras cidades do circuito. Aliás, um pouco mais compacto por se tratar de um município realmente muito pequeno. O vinho que se produz na região é feito de jabuticaba. Cheguei a prová-lo e achei que seria mais bem classificado se considerado como licor ou cachaça mais leve, devido ao teor alcoólico mais alto do que o de um vinho clássico. Também me chamou a atenção as esculturas feitas em madeira-de-lei que estavam à mostra no quintal de uma casa, no caminho para o centro histórico da cidade. Eram verdadeiras estátuas, em tamanho natural, de santos e de alguns artistas contemporâneos, como Raul Seixas e Bob Marley. Bati palmas, para tentar falar com o proprietário, mas ninguém atendeu. No mais, esticamos nossa caminhada para além do centro da cidade e conhecemos mais alguns prédios interessantes, de notável valor histórico, certamente não reconhecidos à altura, devido ao estado de aparente maus tratos em que se encontram. Na volta, jantamos no restaurante Taipa, único aberto naquela segunda-feira, e voltamos para a pousada, a fim de descansarmos um pouco e nos prepararmos para mais um trecho da viagem, no dia seguinte pela manhã.

Igreja matriz de Catas Altas

Pequena praça em Catas Altas

Belas esculturas à venda em Catas Altas

Casas coloniais no centro de Catas Altas

A festa do vinho terminou no dia 15/05/2011 em Catas Altas

Exemplo de casa bem conservada em Catas Altas

Exemplo de casa mal conservada em Catas Altas

CATAS ALTAS
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Casarões seculares,
igrejas com seus altares.
Estradas calçadas
com pés-de-moleque.
Pilar, pilão e pileque.
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Grandes esculturas

em madeira-de-lei.
Há muitas coisas por aqui
que ainda não vi,
que ainda não sei.
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Vinho de jabuticaba.
A luta pela vida
nunca termina.
Nossa criatividade
nunca se acaba.
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Felipe Cerquize
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16/05/2011

ESTRADA REAL III

No dia 14 de maio, logo depois do café da manhã, saí do Solar dos Montes com destino a Lavras Novas, passando por Ouro Branco, que atualmente é a primeira cidade de Minas Gerais e a quadragésima do Brasil, conforme classificação pelo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios). Apesar do conceito, Ouro Branco é uma cidade com poucos atrativos turísticos relacionados à Estrada Real, exceto pelo fato de ser o município onde se localiza a casa onde viveu Joaquim José da Silva Xavier. À margem da rodovia que liga Conselheiro Lafayete a Ouro Branco está a casa onde morou Tiradentes, bem conservada, mas sem nenhuma vigilância armada ou desarmada. Qualquer um que chegue ao local pode entrar na casa e circular por seus quintais, varandas, porão, mezanino etc. Um absurdo, visto ser aquele um patrimônio de valor histórico incalculável.

Casa de Tiradentes em Ouro Branco (MG)

Fundos da casa de Tiradentes em Ouro Branco (MG)

Parte da casa de Tiradentes em Ouro Branco (MG)

Frente da casa de Tiradentes em Ouro Branco (MG)

Depois de mais ou menos meia hora, explorando a casa de Tiradentes, dei continuidade à viagem para Lavras Novas, que é um distrito de Ouro Preto a cerca de 30 Km do centro desse município. Para se chegar lá, é necessário sair da rodovia que liga Ouro Branco a Ouro Preto e seguir 7 Km numa estrada de barro muito vermelho, que, imagino, deva virar mingau em dia de chuva. A idéia, inicialmente, era passar por Lavras Novas somente para o almoço e um giro rápido pelo centro, mas esse distrito de cerca de 1000 habitantes é muito aconchegante e, por isto, resolvemos ficar um dia por lá. São várias lojas de artesanato, muitas pousadas, restaurantes e bares ao longo de uma rua de mais ou menos 3 Km de extensão. Apesar das muitas pousadas, poucas tinham vagas e só encontramos uma que fosse confortável e com preço acessível depois de quase uma hora de procura. Feito isto, tomamos banho, nos arrumamos e fomos a um almoço-jantar num dos dois restaurante italianos existentes no local. Chegamos às 18:00 h e saímos às 20:00 h com a ideia de passear um pouco pelas ruas para ver os artesanatos, mas qual não foi a nossa surpresa ao ver que, naquele horário, as lojas já estavam todas fechadas e os bares para turistas também. Nada de vida noturna por ali e, por isto, resolvemos dormir cedo para aproveitar o máximo do dia seguinte.
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O domingo foi realmente proveitoso, considerando nosso objetivo. Além do comércio turístico, Lavras Novas tem atrações naturais fantásticas, como grutas, cachoeiras, trilhas e diversos mirantes que permitem ver as montanhas verdes do Parque do Itacolomi, onde se situa o distrito. Caminhando pela rua principal, além dos cantores de MPB contratados dos bares, havia também gente da terra, em frente aos portões de suas residências, tocando algum instrumento musical. Foi o caso de seu Antônio, conhecido como “Chicrete Sanfoneiro”, que estava tocando uma sanfona de respeito, na varanda de sua casa, e para quem pedi algumas músicas (Filmei “Chicrete Sanfoneiro” tocando “Eu só quero um xodó”, de Dominguinhos. Assim que puser no You Tube, aviso).
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Loja de artesanatos em Lavras Novas (MG)

Quintal com roupas estendidas no varal - Lavras Novas (MG)

Com seu Antônio, o "Chicrete Sanfoneiro" - Lavras Novas (MG)

Um dos mirantes de Lavras Novas (MG)

Caminho para cachoeira e gruta - Lavras Novas (MG)

Outro mirante de Lavras Novas (MG)

Casa simples com flores bonitas no centro de Lavras Novas (MG)

Casa na rua principal de Lavras Novas (MG)

Nessa curtição toda, quando vimos, eram duas horas da tarde e já era tempo de voltar para o hotel, arrumar as malas e zarpar fora, antes que fosse obrigado a pagar uma nova diária. E assim foi. Às 14:30 h, estávamos encarando os 7 Km de barro vermelho, a fim de chegar à rodovia que nos levou até Ouro Preto.

PALAVRAS NOVAS
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Sempre é possível aprender,
a partir de gestos,
a partir de exemplos,
na forma de pôr as palavras,
Lavras Novas.
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Palavras novas
numa velha estrada,
mistura de tempos,
que muito me agrada.
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O horizonte à disposição,
visto de mirantes
que não vira antes.
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Vejo a natureza,
em seu esplendor,
passando por Lavras,
tentando palavras.
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Palavras novas,
numa velha estrada,
provocando pensamentos
que no fim vão dar em nada.
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Felipe Cerquize
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15/05/2011

ESTRADA REAL I

Cá estou eu, de novo, falando das minhas aventuras e desventuras pela Estrada Real.
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Saí de casa, hoje, por volta das 13:00 h, com destino a Santos Dumont (MG), distante cerca de 240 Km de Campo Grande, bairro em que moro no Rio de Janeiro. Sol a pino, trânsito tranquilo e a alegria de recomeçar. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o preço do pedágio na BR-040, que continua o mesmo de dois anos atrás, quando fiz a primeira viagem pela Estrada Real. Uma situação estranha e atípica neste país, onde tudo é motivo para reajuste e desserviço à população. Quando cheguei à última praça de pedágio (são três), perguntei à atendente quantos quilômetros eram dali a Santos Dumont e ela me disse faltarem cerca de 40 Km, mas que, antes disso, eu iria encarar um engarrafamento, logo depois de Juiz de Fora, devido ao tombamento de uma carreta na pista sentido Belo Horizonte. E foi assim que aconteceu. Fiquei meia hora parado, próximo de Juiz de Fora, esperando a liberação da BR-040 para continuar a viagem.
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Já passava das 16:30 h, quando o trânsito foi liberado. Mais meia hora e cheguei à entrada de Santos Dumont. Confesso que me bateu um certo desapontamento, quando avistei a cidade, um aglomerado de casas sem grande planejamento e sem evidências de relíquias arquitetônicas que me remetessem ao período colonial ou a alguma referência histórica notória. Adentrei pela via principal da cidade e a impressão foi de um município grande e desorganizado, não parecendo ter apenas os 40000 habitantes informados no site www.estradareal.org.br. Esse mesmo site cita algumas atrações turísticas, tais como um monumento com o avião 14 Bis e uma réplica da Torre Eiffel, ambos bastante depreciados e sem cuidados. Mesmo com essa impressão negativa, parei e perguntei sobre a localização do Villa Dumont, hotel com boa referência no Guia Quatro Rodas. Estava lotado. Os hotéis Campestre e Country São Luiz, duas outras referências, também estavam sem vaga, consequência de novos projetos que estão levando à ocupação de todos os hotéis por técnicos da Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio, produtora de ferro e silício metálico, que são exportados para vários países. Já estava escurecendo e, sem alternativas, perguntei à recepcionista do Country São Luiz onde haveria a possibilidade de me hospedar por perto e ela me indicou o Hotel Chalé de Minas, 25 Km adiante, na BR-040, já em Correia de Almeida, que é um distrito do município de Barbacena. Diante da falta de alternativa e com o impacto da primeira impressão, resolvi seguir para o hotel sugerido, onde estou agora. De bom, quando cheguei ao hotel, foi o jantar bem mineiro que comi no restaurante. Um virado com arroz, linguicinha e carne, acompanhado de uma deliciosa costelinha de porco e um ovo frito com gema mole. De sobremesa, um magnífico curau de milho verde.

Hotel Chalé de Minas - Correia de Almeida (MG)

Restaurante Panela de Minas - Correia de Almeida (MG)
.Esses foram os primeiros quilômetros dessa minha viagem. Como o destino quis assim, amanhã, irei com minha mulher até a casa de uma prima dela, que mora aqui em Correia de Almeida e depois sigo para Cristiano Otoni e Conselheiro Lafayete.
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Abraços!

VOO BAIXO
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Santos Dumont:
sobrevoei a cidade
e vi sua realidade.
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Nem tudo são flores
no mundo real.
Nem tudo são cores
no mundo virtual.
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Passei voando baixo
e só vi o que não quis:
vento forte como a brisa,
Eiffel com jeito de Pisa
e o avião 14 Triz.
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Felipe Cerquize
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