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14/09/2008

BURT BACHARACH POR TONINHO SPESSOTO

O Jornal do Brasil convidou o querido amigo Toninho Spessoto para escrever um artigo sobre Burt Bacharach, que foi publicado hoje (14/09/2008) e está disponível nas versões impressa e eletrônica. Toninho é jornalista, radialista e produtor e vai lançar em 2009 um CD com canções de Burt Bacharach que realçam as influências da MPB em sua obra. Ele também é um letrista bissexto e, recentemente, tive o prazer de musicar uma letra sua, cujo resultado poderá ser ouvido no link http://www.mp3tube.net/musics/Felipe-Cerquize-Dama-Felipe-Cerquize-e-Toninho-Spessoto/195535/ .

Para facilitar, transcrevi o artigo do Toninho para esta mensagem (abaixo). Porém, se alguém quiser ler a matéria no próprio JB, clique em http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/?ed=1470&ca=7&num=48 . A matéria é capa do Caderno B.


DÍVIDA DE GRATIDÃO COM A MPB

Nesta sexta-feira, em seu site oficial, o compositor Burt Bacharach anunciou turnê brasileira em 2009. Aos 80 anos, vai refazer laços com a bossa nova e o baião, que mudaram sua obra na década de 60.

Toninho Spessoto

ESPECIAL PARA O JORNAL DO BRASIL

Compositor, maestro, arranjador, pianista, Burt Bacharach volta ao Brasil em abril de 2009, 10 anos após sua última visita. Em seu site oficial, anunciou nesta sexta-feira apresentações em Curitiba (dia 11, no Teatro Positivo), Porto Alegre (13, Teatro do Sesi), São Paulo (15 e 16, em lugar a ser confirmado) e Rio (17, no Citibank Hall). Um dos maiores gênios da história da música, o único gravado por The Beatles (Baby, it’s you), Elvis Presley (Any day now) e Frank Sinatra (Close to you e Wives and lovers), Bacharach, que completou 80 anos em maio, segue fazendo turnês regularmente. Só em 2008 já passou por Japão, Austrália, Canadá e várias cidades dos Estados Unidos. Até dezembro volta ao Canadá e faz concertos na Itália. Em 2005, surpreendeu público e crítica com o álbum At this time. Programado inicialmente para lançamento apenas na Inglaterra, acabou saindo em todo o mundo. Pela primeira vez assinou letras, algumas bastante ácidas, atacando os desmandos de George W. Bush, casos de Please explain, Where did it go? e Who are these people. Com participações de Elvis Costello e Rufus Wainwright e loops criados por Dr. Dre, traz, em alguns temas, flertes com o hip hop.

A vida, entretanto, não tem lhe sorrido, como parece na foto ao lado. No início de 2007, uma tragédia se abateu sobre o compositor americano. Nikki, sua filha mais velha, do casamento com Angie Dickinson, de quem se separara na década de 70, se suicidou, aos 40 anos. Ela sofria de uma espécie rara de autismo. O pianista se recolheu por alguns meses, mas retomou o trabalho. Hoje vem ampliando o leque de parceiros. Além de refazer os laços com Hal David, escreve com Tonio K., John Bettis e Will Jennings. No fim de 2007, fez uma canção com Brian Wilson (Beach Boys) e está compondo novamente com Elvis Costello, o que pode gerar um novo CD para 2009. Estão previstos para sair o disco e DVD Burt Bacharach live at Sydney Opera House, pela Verve, maior gravadora de jazz do mundo.

Bacharach esteve no Rio em outubro de 1999, para um memorável espetáculo no antigo Metropolitan, atual Citibank Hall. Apresentou clássicos e canções do então recém-lançado álbum Painted from memory, gravado em parceria com o inglês Elvis Costello. Passou por aqui pela primeira vez em 1959. Era então o diretor musical das turnês da cantora e atriz alemã Marlene Dietrich. A estrela e o maestro se apresentaram no Golden Room do Copacabana Palace, no Rio, e no Teatro Record, em São Paulo. O show da capital paulista foi transmitido pela TV Record. Nessa visita, foi apresentado à recém-nascida bossa nova e conheceu, assistindo a apresentações de grupos populares, o baião. Os dois gêneros o influenciaram decisivamente. Por diversas vezes afirmou que sua música "nunca mais foi a mesma depois de conhecer a bossa nova e o baião". Surgiram daí The look of love e (There's) always something there to remind me, porções dessas duas influências. De fato, as composições de Bacharach traziam até aquele momento influências das canções americanas tradicionais e até da country music.

Começou a carreira em 1952, apresentando um programa de rádio pela emissora das Forças Armadas americanas na Alemanha. Apaixonado por jazz, mostrava no rádio gravações de Dizzy Gillespie, Charlie Parker e Miles Davis. Naquele ano teve sua primeira composição gravada, a instrumental Once in a blue moon, por Nat King Cole. De volta à América, passou a trabalhar como pianista de Steve Lawrence e dos Ames Brothers. Em 1957 conheceu o letrista Hal David, que se tornaria seu mais importante parceiro. No mesmo ano a dupla teve seu primeiro hit, a balada country The story of my life, que liderou as paradas nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Nos anos 60 nasceram clássicos como I say a little prayer e Alfie. Nos 70, ganhou dois Oscar com o filme Butch Cassidy & The Sundance Kid (pela canção Raindrops keep fallin' on my head, interpretada por B.J. Thomas, e pela trilha instrumental). Em 1973, fracassou com a trilha (com David) de Horizonte perdido (só fez sucesso no Brasil). A parceria foi interrompida nessa época. O letrista não aceitava o fato de o maestro fazer muitos shows e se dedicar pouco à composição.
Em 1978 veio de novo ao Brasil, fazendo shows no Canecão (Rio) e Palácio das Convenções (São Paulo). Os espetáculos paulistanos foram gravados pela TV Tupi. Deprimido e compondo menos, Bacharach esteve no Rio várias vezes. Era comum vê-lo em boates, sozinho, por vezes tocando piano.

Em 1980, retomou o sucesso. Casado com a letrista Carole Bayer Sager, passou a compor com ela. O casal ganhou o Oscar de canção por Best that you can do, tema da comédia Arthur, o milionário sedutor. Entre os grandes hits da parceria Bacharach-Sager, está That's what friends are for. Foi feita originalmente para o filme Corretores do amor e gravada por Rod Stewart. Burt detestou a leitura do cantor escocês. Três anos depois, deu-a para Dionne Warwick, que a gravou ao lado de Elton John, Gladys Knight e Stevie Wonder.

No fim da década, divorciou-se de Carole Bayer Sager e sofreu um novo período de baixa. Em 1994, foi redescoberto pelos ingleses do Oasis, que colocaram uma foto sua na capa do disco Definitely maybe. A partir daí, as novas gerações passaram a cultuar as criações do maestro.

Em 1996, Burt Bacharach iniciou a parceria com Elvis Costello, fazendo a canção God give me strength para o filme A voz do meu coração. Dois anos depois, a dupla lançou o álbum Painted from memory, premiado com o Grammy de Melhor Trabalho em Duo ou Grupo. Em 1997 várias canções de Bacharach foram usdas na trilha do filme O casamento do meu melhor amigo. A partir daí, não mais parou, como se confirma nessa nova turnê.

Toninho Spessoto é jornalista, radialista e produtor e vai lançar em 2009 um CD com canções de Burt Bacharach que realçam as influências da MPB em sua obra

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