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09/05/2009

ESTRADA REAL I

FOTO TIRADA NO MEMORIAL CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
INTRODUÇÃO
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De 15 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009, estive em viagem pelo circuito da Estrada Real, que tem duas vertentes: uma que começa na cidade do Rio de Janeiro e outra que se inicia em Paraty, litoral sul do estado do Rio. Ambas as vertentes se encontram em Ouro Preto e de lá seguem numa só para Diamantina. Abaixo, uma breve descrição do circuito, retirada do site http://www.estradareal.org.br (trecho entre aspas):
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“A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é seguir os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo.
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Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposição da Coroa, foi aberto um "caminho novo". A rota de Paraty passou a ser o "caminho velho", a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.
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Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais de 1600 km de patrimônio, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte.”
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A minha trajetória começou pelo caminho novo, no Rio de Janeiro, de onde saí às 14:00 h do dia 15/01, seguindo pela BR-040 (Rio–Brasília), até Barbacena, por onde passei para tomar o caminho de Tiradentes, num percurso total de cerca de 340 Km. Além de explorar bem a riqueza cultural de Tiradentes, essa cidade também me serviu de base para conhecer o município de São João del Rei e a localidade de Bichinho.
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No quarto dia (18/01), segui para Ouro Preto, que fica a 200 Km de Tiradentes, porém, passando antes por Congonhas, para conhecer o seu centro histórico e os Profetas do Aleijadinho. Ouro Preto foi a maior das cidades que visitei nessa minha viagem e nela permaneci por três dias, sem deixar de ter a preocupação de definir um roteiro enxuto para que não ficasse algo importante sem ser conhecido. Essa foi outra cidade base e dela parti por um dia inteiro para conhecer Mariana, que fica a pouco menos de 20Km de lá.
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Na quarta-feira (21/01), fui para Itabira, também numa viagem de cerca de 200 Km. Lá, pernoitei dois dias, um dos quais dedicado inteiramente aos Caminhos Drummondianos, que detalharei oportunamente nestas memórias.
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No dia 23/01, parti finalmente para Diamantina, cidade extrema da Estrada Real. Antes de chegar a lá, passei por várias cidades históricas menores, como Catas Altas, Santa Bárbara e Serro Frio, essa última de porte um pouco maior do que as outras. Diamantina fica a cerca de 300 Km de Itabira e, depois de conhecer os pormenores da cidade, tirei uma noite para conhecer a Folia de Reis da cidade de Curralinho, que fica a 8 Km do antigo Arraial do Tejuco.
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Foi nesse ponto que optei por descolar da Estrada Real, e, no dia 25/01, deixei Diamantina e rodei cerca de 150 Km, a fim de chegar de volta à BR-040, de lá seguindo mais 50 Km rumo a Cordisburgo, terra natal de João Guimarães Rosa. Caetanópolis, cidade vizinha de Cordisburgo, é onde fica a Gruta de Maquiné, que também selecionei como parte do roteiro.
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A essa altura da viagem, no afã de otimizar o tempo escasso que tinha, saí de Cordisburgo para Três Pontas, dirigindo 420 Km sem parar. Na verdade, essa quilometragem completou-se na cidade de Varginha, aonde cheguei à noite e pernoitei para, no dia seguinte (27/01) viajar mais 35 Km, até Três Pontas.
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De lá, depois de conhecer a casa de Milton Nascimento e os meandros da cidade e suas adjacências, retornei a Varginha (passagem obrigatória) e passei por Três Corações e Cambuquira, até chegar a São Lourenço, retomando a Estrada Real nesse trecho do “caminho velho” (Percurso total de mais ou menos 120 Km). Em São Lourenço, que para mim é uma cidade especial, fiquei de 28 a 31/01.
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De São Lourenço a Visconde de Mauá, fiz o último trecho dessa viagem (140 Km). Foi em Maringá de Minas, cidade a 5 Km de Visconde, que pernoitei, antes retornar para casa, com direito a um almoço de despedida em Penedo, às 17:00 h do dia 01/02.
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Como comentários gerais sobre o trajeto, além da beleza e da riqueza cultural de todas as cidades visitadas, um ponto forte a ser destacado é a qualidade da pavimentação de todas as rodovias que utilizei para fazer o circuito da Estrada Real. Ficou claro, para mim, que o governo de Minas Gerais está investindo no turismo, dentro desse circuito. Os piores trechos de rodovias que utilizei durante a viagem foram ou fora de Minas ou fora do circuito da Estrada Real, mas não pela qualidade da pavimentação. Cito dois deles: 1) Trecho da BR-040 no Rio de Janeiro, que tem um custo / benefício duvidoso, pois, a cada 60 Km de estrada, pagam-se quase R$ 8,00 de pedágio (na Via Dutra, por exemplo, se paga valor semelhante, mas a cada 100 Km). 2) Trecho da Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a Varginha, onde a estrada é boa, mas a sinalização sofrível.
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Duas outras observações importantes sobre a viagem, na minha opinião, dizem respeito à meteorologia e ao meu veículo de transporte. Na primeira, o tempo foi super generoso comigo e, mesmo com todas as cenas de enchentes vistas na televisão, durante o período que estava em viagem, o máximo que peguei na estrada foram alguns chuviscos. Na segunda, foi o meu carro, que se comportou como um campeão, não dando sinais de fadiga ou de defeito em momento algum do percurso total de 2300 Km, que rodei. Quando terminei a viagem e o estacionei na garagem de casa, a primeira coisa que fiz foi bater palmas para ele, um Manuel Audaz on road.
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Na próxima publicação, iniciarei o relato sobre cada cidade por que passei.
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ESTRADA REAL
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O sangue escorrendo pelo chão,
pelos veios de ouro e diamante.
Instrumento de tua perdição
que serviu ao servil ignorante.
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Mas o tempo, senhor soberano,
mostra sempre o que é certo e o que é errado.
São as lutas travadas no caminho
que não deixam a gente aqui sozinho.
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Os teus mártires não morreram em vão,
eu os vejo no asfalto da estrada.
O poeta ainda inconfidente
sabe como dizer o que ele sente.
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Cadafalso, corrente e garrote,
ciclotímicas surras com chicote.
As cidades exibem o teu lanho
e quem passa não acha isso estranho.
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Realeza do Quinto e da Derrama,
hoje tuas cidades são pacatas.
Tuas cruzes são feitas pra quem ama,
tuas luzes tornaram-se abstratas.
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Ó estrada real e imaginária!
Desfaz teu passado com o futuro.
Mostra a arte da verve que te serve,
ilumina o teu lado escuro.
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Felipe Cerquize
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Um comentário:

Pedro Duque disse...

Oi Felipe, nem sei se você vai se lembrar de mim, provavelmente sim, eu espero... rsrs Eu era amiguinho do seu filho lá no cond. Julio Fl&¨%¨%$ sou o filho da Tânia, da casa 52, fomos juntos ver a Baleia, lembra?! rsrs Achei vocês!!! Outro dia estava olhando o seu livro, aidna temos ele!! Com os desenhos do Tulio!! NOssa, que de mais, te ter por aqui... Já me add como seu seguidor!! Abraços e sorte sempre!