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09/05/2009

ESTRADA REAL VII

PRAÇA NO CENTRO HISTÓRICO DE MARIANA
MARIANA (MG)
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Mariana foi a primeira capital mineira e é a mais antiga cidade histórica do estado. Embora o seu pequeno centro preserve ricas igrejas e diversas construções com arquitetura colonial, o turismo por lá ainda é menos intenso do que na maioria das cidades renomadas da Estrada Real. É um local muito glamoroso e aparentemente organizado.
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Ao chegar, ainda sem saber onde era o centro histórico, fui parar na estação ferroviária da cidade (existe um passeio de maria-fumaça, de Mariana a Ouro Preto, que não fiz) e lá tive algumas poucas e boas surpresas. A primeira foi uma engenhoca eletrônica, onde era possível pesquisar tudo sobre a cidade e suas adjacências, bastando pressionar teclas, como se estivesse num caixa eletrônico, mas com a vantagem de ter uma voz estereofônica narrando os fatos relevantes ali registrados. A segunda foi um vagão-cinema, patrocinado pela Vale, que passa curtas-metragens que receberam o apoio cultural daquela empresa. A terceira, e para mim a mais impressionante, foi uma pracinha que fica em frente à estação, onde existem diversos brinquedos que também são instrumentos musicais verdadeiros, numa idéia muito criativa que estimula a criança e fustiga o adulto (fiquei quase meia hora tocando bumbo, xilofone e outros instrumentos de percussão).
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Depois desse intróito, com a orientação de moradores, segui a pé até o centro histórico de Mariana e fiquei fascinado. A essência da cidade resume-se a três ou quatro quarteirões, mas nessa pequena área é possível encontrar uma enorme concentração de prédios seculares. Na parte baixa, início do centro histórico, existe uma igreja e uma enorme praça (ver foto). Na parte alta, as igrejas multiplicam-se, próximas da Casa de Câmara e Cadeia, onde também há um pelourinho bem conservado, que deixa em evidência a insanidade humana de outros tempos. Existem obras de Aleijadinho e de Mestre Atahyde em várias igrejas.
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Depois dessas visitas imperiosas, tirei uma boa parte do tempo restante para conhecer a Casa de Alphonsus de Guimaraens, assim sabendo um pouco mais sobre a vida desse que foi um dos maiores poetas simbolistas brasileiros. Alphonsus nasceu em Ouro Preto, mas viveu a maior parte de sua vida em Mariana, nessa casa que visitei e que hoje é uma espécie de museu. Teve 14 filhos e morreu relativamente jovem, aos 51 anos. Não era um abastado e para mim ficou difícil imaginar como ele conseguia espaço para 14 filhos naquela casa de poucos cômodos. O filho caçula, seu homônimo, fazia parte da Academia Marianense de Letras e faleceu em agosto de 2008, com 90 anos. Ele escreveu a biografia do pai, disponível na Casa (naturalmente, comprei). Alphonsus pai morreu em 1921, quando seu caçula ainda tinha três anos, mas sua mulher, Zenaide de Oliveira, viveu até 1969. Para quem tiver interesse, é possível encontrar muita informação na internet, tanto sobre o pai quanto sobre o filho.
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Fotos:
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http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=139730924&albumID=2142422&imageID=32807685 Cãmara Municipal de Mariana
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http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=139730924&albumID=2142422&imageID=32807802 Chafariz
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http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=139730924&albumID=2142422&imageID=32807859 Estação ferroviária
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http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=139730924&albumID=2142422&imageID=32808099 Hino de Mariana
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http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=139730924&albumID=2142422&imageID=32808785 Ruas e prédios
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Assim, tendo alimentado a alma, parei num pequeno restaurante para alimentar o corpo. Depois, voltei a Ouro Preto, onde estava hospedado (fica a menos de 15 Km de Mariana). No dia seguinte, parti para Itabira.
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MARIANA
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Bucólica cidade do interior de Minas
O centro histórico, a estação de trem
Nas praças, as pernas de tuas meninas
Na tua Via-Sacra, milhares de "amém"
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As igrejas, a Casa de Câmara e Cadeia
Cidade que dá permissão aos poetas
Não sei se os seios que servem a ceia
São parte da hóstia em missas secretas
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A chuva cai intensa, arrasta teus metais
Nós seguimos juntos, querendo a poesia
Na Casa de Alphonsus a teremos mais
O simbolismo em tudo que viveu um dia
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E o tempo nublado no céu da tua boca
E olhos marejados dizem vir mais chuva
Então, prenso as formas da arte barroca
Como espremo bagos em cachos de uva
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Felipe Cerquize
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